Ricardo Koctus - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista com: Ricardo Koctus (baixista do Pato Fu)

Editor: Cesar Gavin

Data: 23/01/2014

Novo disco solo e entrevista com Ricardo Koctus (baixista do Pato Fu)

A longa estrada: do Rock para Bossa Nova e Samba

Ricardo Koctus está na música desde sempre! Eu o conheci há muitos anos atrás em Belo Horizonte quando eu trabalhava como roadie dos Titãs e o Pato Fu era a banda de abertura. Koctus fazia a produção, tocava e compunha na banda, aliás, batalhando um lugar ao sol. E não é que deu certo? O grupo virou destaque do rock brasileiro. Anos depois fui trabalhar na MTV e a novidade veio com a banda ganhadora do prêmio Revelação do VMB de 1995, o Pato Fu. De lá pra cá, Ricardo Koctus gravou 11 álbuns e 5 DVDs com a banda.

Nos últimos anos, ele vem se dedicando paralelamente na The Presley's Band e em sua carreira solo. Acaba de lançar "Samba, Bossa ou Rock 'n Roll", lançado em dezembro pelo selo Ultra.

Koctus mostra que não tem limites para o seu repertório. Ele visita Rock And Roll, Rockabilly e Jovem Guarda somados a vários gêneros da terra tupiniquim e a prova disso é a participação da cantora Elba Ramalho no disco. As letras sumariamente contrastam e retratam um cara romântico e talvez ingênuo (Amor Sincero) com um bom malandro (Eu, Quando Vi Você, Ana). Vale ressaltar a declaração de amor feita para sua filha em "Maria", que participa da faixa cantando e tocando flauta.

Rótulos a parte, te garanto que você vai se surpreender! Ouça, leia e conheça!

Cesar Gavin: O disco é bem eclético: Samba, Bossa Nova, Rock And Roll, Forró, etc. Como foi a elaboração do repertório?

Ricardo Koctus: Normalmente componho com um pegada mais brasileira. Depois dependendo da produção, essas canções tomam novas caras, Pop, Rock, Blues, etc... Esse repertório vem de canções que não entraram no CD anterior, somados com novas canções. Foi uma escolha bem fácil. De 22 músicas, escolhi essas, que mostram uma vertente minha pouco conhecida, que normalmente explora como Dj-K.

Cesar Gavin: Como foi a participação da Elba Ramalho na faixa "Pluma"?

Ricardo Koctus: Elba foi incrível! Fiz o convite e ela aceitou prontamente. Mandamos a base com uma voz guia, ela cantou já sabendo como eu poderia fazer minha voz. Fiquei muito feliz com o carinho com que ela me dispensou. Gentileza é coisa rara a cada dia que passa, né? Agora fico aqui como fã da Elba esperando, quem sabe que ela aceite um convite pra participar de um show comigo.

Cesar Gavin: Qual sua relação com o Clube da Esquina? Eu senti influência no seu disco.

Ricardo Koctus: O clube da esquina é influência diretamente ou não pra qualquer compositor mineiro. Penso que tanto nesse CD, quanto no outro, essa referência está lá, mesmo que não tenha tido uma intenção explícita. Mas, é uma ótima referência!!

Cesar Gavin: E sua outra banda The Presley's Band como anda?

Ricardo Koctus: The Presley's é minha grande paixão. Adoro cantar e tocar canções que foram imortalizadas pelo Rei do Rock. Nesse novo trabalho fico bem distante com essa referência. No CD anterior temos umas referências do Elvis, Jovem Guarda e Márcio Greick. Somos já uma banda com 10 anos de estrada, com várias participações especiais, como: Nando Reis, Zélia Duncan, Bruno Gouveia e Coelho (Biquini Cavadão), Fred (Raimundos) Pato Fu, Edgard Piccoli, Ritchie e Maurinho Nastácia (Tianastácia). Fizemos poucos shows fora de Belo Horizonte, infelizmente.

Cesar Gavin: Quando te conheci em 1993, o Pato Fu era um trio e depois virou um quinteto. O que mudou na banda até os dias de hoje?

Ricardo Koctus: Essas mudanças no Pato foram acontecendo naturalmente. Não tínhamos bateria, depois veio o Xande Tamietti. Lulu Camargo (teclados) veio logo após a gravação do "Ao vivo". Depois que ele mandou ver não tinha mais como ficar sem o cara. Um batera como o Xande e o Lulu nos teclados é sonho de qualquer baixista!!

Cesar Gavin: Como foi ganhar o Grammy Latino como "melhor disco infantil" pelo "Música de Brinquedo"?

Ricardo Koctus: Ganhar o Grammy foi demais! Um prêmio incrível! Quando o John trouxe a ideia do "MDB", na hora fiquei entusiasmado com o projeto. Foi muito divertido de gravar, mas muito mais ainda de executar ao vivo. Seria demais fazer novos CDs desse projeto. Temos um universo imenso a explorar com essa ideia. É um projeto que pode ser uma marca do Pato Fu, não seguir uma carreira, mas algo paralelo no Pato. Quem sabe, né?

Cesar Gavin: Por ter uma carreira bem sucedida com o Pato Fu, é um grande desafio ter uma carreira solo ou você se adaptou fácil com isso?

Ricardo Koctus: Na maioria das vezes é mais difícil, principalmente por que sou o baixista que vem com um trabalho autoral e como cantor. As pessoas não me conhecem nesse perfil, então acabo tendo as mesmas dificuldades de um iniciante. O que de fato sou na nova função. E por mais ferramentas que temos pra divulgar nosso trabalho, esbarramos nas mesmas dificuldades, tanto eu como o meu amigo que está começando... Na falta de interesse do ouvinte, da imprensa, mídia em geral. O mercado está ávido por novidades, mas ao mesmo tempo está acomodado com a onda que segue. Muitos artistas se tornam fenômenos na internet, mas há outros que ainda precisam de um trabalho a mais, e com a confusão que temos vivido há mais de 10 anos na indústria fonográfica, ninguém investe em nada! Daí, ficamos igual cachorro correndo atrás do rabo. Esse novo CD só saiu por que consegui aprovar e captar no projeto de lei e incentivo à cultura e o apoio de amigos como o produtor Gerson Barral, que é dono do selo Ultra Music, este que sairá meu disco. Uma estrutura pequena, mas consigo alí uma distribuição e uma pequena assessoria de imprensa. Demoramos 2 anos e meio entre aprovar, captar, gravar e lançar o CD. Essa forma de incentivo a cultura também está saturada. Mas ainda é o caminho.

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