Rock Rocket - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista com o grupo Rock Rocket sobre o novo disco

Editor: Cesar Gavin

Data: 05/03/2013

"Queríamos uma gravação menos “plastificada” do que costuma-se fazer nas produções de rock hoje em dia..." (Noel Martins sobre o último disco)

Mas por que precisamos de tanto suingue? Por que precisamos de rebolados? Brasileiro também gosta de rock. Música é coisa séria! Rock and roll cru, direto e bem feito. Power trio. Disco produzido por Rafael Crespo (ex-Planet Hemp). Sotaque paulistano, influências do Mod e do Punk Rock Inglês e até da Surf Music americana. Este é Rock Rocket! No meio de conchavos da indústria fonográfica, Alan Feres (bateria), Noel Martins (guitarra e voz) e Jun Santos (baixo), lançam o terceiro disco independente e com orgulho!

Cesar Gavin: Como foram as participações do Rock Rocket nos filmes "Luz das Trevas" e "Pólvora Negra"?

Noel Martins: O diretor do “Pólvora Negra”, o Kapel Furmam, já havia dirigido o nosso clipe da música “Doidão” em 2008, e chamou o Alan pra produzir a trilha sonora do longa. Foi tudo gravado num gravador de rolo na sala da casa do Alan na época, com a participação de diversos amigos. O resultado ficou muito legal e bem peculiar, inclusive ganhou o Premio Sesi de 2011 na categoria melhor trilha sonora. Dessa trilha fez parte a música “Shark Attack”, que gravamos ao vivo no rolo nessa primeira leva e depois regravamos com o Rafael Crespo pro nosso álbum recém lançado. Essa versão do CD ganhou um clipe com imagens do filme. Já o “Luz nas Trevas” recebemos o convite pra participar de uma cena com a banda tocando enquanto a polícia dava uma “batida” na Galeria do Rock. Por causa da temática ilícita que se encaixava bem no contexto, a música escolhida foi “Os Legais”, que faz parte do nosso segundo disco de estúdio.

Cesar Gavin: Como foi trabalhar com o Rafael Crespo?

Noel Martins: O Rafael foi muito importante durante o processo de gravação. Antes mesmo da gente conversar com ele, já tínhamos uma ideia de que queríamos uma gravação menos “plastificada” do que costuma se fazer nas produções de rock hoje em dia, e ele é um cara que também segue essa linha, a gente percebe isso escutando as bandas que ele teve ao longo da carreira e outros trabalhos que fez como produtor. Quando chegou a hora de mixar, ele sacou uma mesa de som analógica do bolso, e depois de mixadas nela, as músicas também passaram pelo gravador de rolo. Esse processo somado aos timbres que procuramos achar durante a gravação deu a identidade que a gente queria pro disco; acho que conseguimos mostrar uma nova face do Rock Rocket e também mostrar uma outra possibilidade de se trabalhar a produção de um disco de rock hoje em dia, e sem soar antiquado ou tosco.

Jun Santos: Também acho que foi importante ter o Rafael ali porque ele é um cara que está sempre ligado nas coisas independentes, e isso nos trouxe uma certa segurança para fazermos algo mais experimental, fora dos padrões que a banda vinha fazendo. E sem contar o fato que ele, como grande músico que é, foi essencial em suas participações em algumas músicas do disco.

Cesar Gavin: Poderiam descrever o equipamento (instrumentos) que usaram nas gravações?

Alan Feres: Usei uma bateria Pearl Export com peles porosas bem soltas, estilo baterias de soul dos 60's, gravado com microfones de fita. Toquei também um órgão Minami daqueles de mesa. O Noel usou guitarras Gibson Les Paul e Epiphone semi-acústica 335, além de uma Telecaster Fender.

Jun Santos: Eu usei contrabaixos Squirer modelo Precision, um Rickenbacker, um modelo Jazzbass da Tagima e, nas minhas intervenções de guitarra, usei uma Fender Modelo Telecaster, com pedal Ibanez Tubescreamer..

Cesar Gavin: A Maria Eugênia é uma história real? A ideia (roteiro) do clipe de quem foi?

Noel Martins: Maria Eugênia partiu de uma situação real e foi virando fantasia conforme a música foi se criando. De fato existe uma Maria Eugênia que conheci na “noite” e por circunstâncias de desencontros acabou bloqueando o meu telefone e nunca mais consegui falar com ela. Dessa impossibilidade de conseguir falar com a mulher que você está afim porque pisou na bola, que surgiu a música. A ideia de fazer o clipe com coisas desconexas acontecendo à nossa volta enquanto andamos por diferentes lugares da cidade, cantando a música que fizemos em conjunto com o Gustavo e o Filipe da Kana Filmes, que fizeram o clipe.

Cesar Gavin: No disco tem autoria das composição de todos vocês. O repertório foi composto em quanto tempo?

Noel Martins: Acho que no total deve ter dado uns 2 anos. Tem 3 músicas que a gente já tinha gravado antes e foram produzidas pelo Felipe Vassão, que também produziu os nossos 2 primeiros discos e foi o primeiro cara a acreditar na banda. Não preciso nem dizer o quão eternamente gratos somos a ele!

Cesar Gavin: Como andam os show de vocês na estrada?

Noel Martins: Nós demoramos 4 anos entre o lançamento do nosso segundo disco e o terceiro. Nesse meio tempo, lançamos 2 compactos em vinil. Apesar desse tempo de calmaria no estúdio, nunca paramos de fazer shows, e isso que manteve a banda viva até hoje. Acho que a estrada é uma parte fundamental no processo de amadurecimento de um grupo, é lá que as coisas acontecem. Esse contato com a realidade do que é fazer parte de uma banda que vai te fazer definir se essa é a sua praia ou não. Desde que começamos a lançar nossa primeiras músicas em 2003, conseguimos sempre manter uma boa agenda de shows e fazer a banda circular pelo Brasil. Uma história que sempre me lembro (e já faz um certo tempo) foi uma vez que chegamos pra tocar num lugar (não vou citar o nome da cidade nem do lugar porque pode passar a impressão errada, aliás, lá é muito legal e muito profissional) e tinha caído um dilúvio na cidade. Com a chuva forte estourou o encanamento do esgoto dentro da casa e começou a jorrar água com merda na galera na frente do palco. Tivemos que parar o show. Em poucos minutos a água já estava quase invadindo tudo e ainda assim foi um cara botar a mão "na massa" pra tentar resolver o problema. Ele ficou agachado com a água quase até o pescoço, e uns pedaços de cocô boiando em volta, fora o cheiro. No fim das contas, o show teve que ser adiado e a gente ficou bebendo com o pessoal, essas coisas inesperadas as vezes acontecem. voltamos uns meses depois e aí foi muito legal.

"Esse som é uma homenagem a grandes artistas que se foram precocemente como Dee Dee Ramone, Sid Vicious, Richard Hell e toda a Blank Generation e Johnny Thunders... "(Alan Feres sobre a faixa "Eu Não Morri de Overdose")

Cesar Gavin: A faixa "Eu Não Morri de verdose" me remeteu as bandas do rock brasileiro dos anos 70 (Made In Brazil e Joelho de Porco). Eles são uma referência pra vocês?

Alan Feres: Gosto bastante de Joelho de Porco, Tuti Frutti, Módulo 1000 e coisas do gênero. Quando fiz essa música foi pensando na carreira solo do Johnny Thunders, aquelas baladas com violão. Esse som é uma homenagem a grandes artistas que se foram precocemente como Dee Dee Ramone, Sid Vicious, Richard Hell e toda a Blank Generation, inclusive o próprio Johnny Thunders. Curiosamente, aos poucos a música acabou soando meio britânica, algo próximo do The Who ou The Faces. Nunca tinha relacionado ela com o rock nacional dos 70's, mas como gosto dessas bandas, bem provavelmente foi uma inspiração, mesmo que sem querer.

Jun Santos: Sim, eu gosto dessas coisas da década de setenta do Brasil, porém acho que esse som me remete mais a coisas do Britpop da década de 90. Quando pensei em fazer algo na guitarra e nos arranjos de contrabaixo, essa foi minha principal referência...

Cesar Gavin: Alan, você montou uma loja de LPs no coração do rock paulistano, a Pompéia. Como anda esse mercado?

Alan Feres: Tá bacana a loja.Chama-se Fatiado Discos. É um espaço pra ouvir som, tomar cerveja e comprar discos. E quando a loja está vazia, uso como escritório para cuidar dos assuntos da banda. Tenho vendido bem, até. É um espaço bem pequeno, com pouco custo, então não precisa de muito pra me manter lá.

Cesar Gavin: Vocês tem projeto de lançar um álbum ao vivo + DVD?

Noel Martins: Temos sim. Estamos começando a nos movimentar nos bastidores pra ver se rola gravar ainda esse ano pra lançar no ano que vem.

Jun Santos: É sempre importante ir pensando em novos projetos, porque o tempo passa rápido e temos que manter a banda sempre na ativa, mas a principio, vamos trabalhar esse disco novo com bastante intensidade nos próximos meses...

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