Marco Aguyar - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista com Marco Aguyar (músico, compositor e cantor)

Editor: Cesar Gavin

Data: 19/02/2013

Foto: Felipe Miranda

Marco Aguyar nasceu em São José dos Campos (SP), é cantor, compositor e instrumentista. No final de 2012 lançou seu segundo álbum "Poesia em movimento" contendo 11 canções autorais que tem uma sonoridade muito interessante com violões, bandolins, guitarras e hammonds.

O álbum é cheio de declarações, onde Marco desvenda suas influências particulares e mistura com suas poesias com muito bom gosto. Arranjos muito bem feitos e ótimas melodias, que nos faz ouvir duas vezes (pelo menos) cada faixa.

Nesta entrevista, Marco fala sobre seu trabalho autoral, suas influências e como se faz música independente no Brasil.

Cesar Gavin: O que amadureceu do seu primeiro álbum "Bela Cintra" para o segundo "Poesia em Movimento"?

Marco Aguyar: Bastante coisa, Cesar. Esse amadurecimento acredito que foi natural, acho o "Bela Cintra" um álbum bacana, mas no "Poesia em Movimento", eu queria contar uma outra história. Os timbres, o texto e até mesmo as canções em si estão mais maduras, não que o "Bela Cintra" não seja, mas houve um amadurecimento como músico e principalmente como intérprete.

Cesar Gavin: Como foi o processo de criação?

Marco Aguyar: Intenso! Muita coisa me influenciou nesse segundo álbum, os shows que fiz com o "Bela Cintra", onde pude testar algumas canções inéditas que fariam parte do meu próximo álbum. Diversos shows que vi, artistas, filmes, histórias do meu cotidiano, livros e até poemas.

Procurei um repertório onde as canções dessem uma unidade para o álbum e quando compus "Poesia em Movimento", percebi que seria a música que daria o norte do álbum.

Eu tive muito tempo para fazer uma pré-produção. Ser um artista independente é complicado, nesse sentido, lancei meu primeiro álbum em 2005 e só em 2012 o segundo trabalho. É muito tempo! Nesse intervalo, compus muita coisa que poderia estar no quinto ou sexto álbum.

Cesar Gavin: Em que você se inspira para compor?

Marco Aguyar: Muita coisa me inspira. Canções, filmes, poemas e principalmente histórias que vivi (essas geralmente dão músicas boas). Mas às vezes essa "inspiração" vem do nada e às vezes, nem vem (risos). É Cesar Gavin: O que amadureceu do seu primeiro álbum "Bela Cintra" para o segundo "Poesia em Movimento"?

Marco Aguyar: Bastante coisa, Cesar. Esse amadurecimento acredito que foi natural, acho o "Bela Cintra" um álbum bacana, mas no "Poesia em Movimento", eu queria contar uma outra história. Os timbres, o texto e até mesmo as canções em si estão mais maduras, não que o "Bela Cintra" não seja, mas houve um amadurecimento como músico e principalmente como intérprete.

Cesar Gavin: Como foi o processo de criação?

Marco Aguyar: Intenso! Muita coisa me influenciou nesse segundo álbum, os shows que fiz com o "Bela Cintra", onde pude testar algumas canções inéditas que fariam parte do meu próximo álbum. Diversos shows que vi, artistas, filmes, histórias do meu cotidiano, livros e até poemas.

Procurei um repertório onde as canções dessem uma unidade para o álbum e quando compus "Poesia em Movimento", percebi que seria a música que daria o norte do álbum.

Eu tive muito tempo para fazer uma pré-produção. Ser um artista independente é complicado, nesse sentido, lancei meu primeiro álbum em 2005 e só em 2012 o segundo trabalho. É muito tempo! Nesse intervalo, compus muita coisa que poderia estar no quinto ou sexto álbum.

Cesar Gavin: Em que você se inspira para compor?

Marco Aguyar: Muita coisa me inspira. Canções, filmes, poemas e principalmente histórias que vivi (essas geralmente dão músicas boas). Mas às vezes essa "inspiração" vem do nada e às vezes, nem vem (risos). É muito subjetivo, o processo se dá de várias maneiras. Quando pego um violão e faço uns acordes, eles me chamam para uma melodia e ao mesmo tempo, vou fazendo a letra. Acredito que a melodia me induz para uma determinada letra e assunto que vou tentar abordar. Sempre me perguntam se faço a letra ou a melodia primeiro, depende também. Tenho um parceiro Anselmmo Góes, ele é um grande letrista, temos umas 15 canções juntos. Isto é um belo exercício, musicar uma letra que não foi você quem fez, as palavras são diferentes e até mesmo o estilo de contar uma determinada história. Acho bem interessante, mas também gosto de mandar uma letra ou melodia para um parceiro e ver essa canção pronta depois, numa melodia que jamais teria pensado. Enfim, são diversas formas e inspirações para se fazer música, assim eu vejo.

Cesar Gavin: Você dedica algumas faixas para artistas (Frejat, Zélia Duncan, Cássia Eller e RPM). Por quê?

Marco Aguyar: É verdade! Dedico a eles porque são artistas que me inspiraram direta e indiretamente, vou falar de cada um em particular:

Zélia Duncan: Eu adoro! Acho que ela achou um jeito, uma sonoridade que mescla a música pop, folk e até rock and roll, principalmente ao vivo, vi diversos shows dela. Ela utiliza o bandolim de uma maneira criativa, dando uma identidade muito particular para o som. Também toco bandolim em algumas faixas no "Poesia em movimento" e a canção que dedico a ela tem essa sonoridade e fala de lugares da cidade do Rio de Janeiro e São Paulo. Chama-se "Ponte aérea" .

Cássia Eller: Outra cantora que vi diversos shows, com o repertório dela era fantástico. Quando comecei a escrever "Fúria e flor", não estava pensando nela, mas no meio do caminho, eu percebi que estava falando da Cássia. É explicita essa música. Fiz pra ela mesmo e tenho um sonho de um dia ver a Zélia Duncan cantando. Será a próxima canção que farei um clipe.

Roberto Frejat: Assim como eu, guardadas as devidas proporções, é um guitarrista cantante, ao assumir os vocais do Barão Vermelho. Ele achou uma maneira interessante de cantar e interpretar as suas próprias canções, de uma maneira muito particular. Eu também vinha de uma banda onde era o compositor, mas atuava como guitarrista. A carreira solo dele me influenciou muito, Frejat achou uma sonoridade que mescla pop e rock brasileiro que eu buscava. Vi diversos shows dele também e "Caminhos diferentes pra seguir¨, fala disso. Aliás, eu gravei todas as guitarras dessa faixa.

RPM: Vou ser direto, assim como escrevi no encarte do álbum. RPM foi a banda que revolucionou o meu coração, falo aqui com poucas palavras. Foi a banda que me fez ser músico. Eu entrei no Teatro Bandeirantes uma pessoa em 1985 e sai de lá outra, já sabendo o que eu faria da vida. Voltei para São José dos Campos e comprei um baixo Tonante ( marca bem comum na época), e não parei mais. A canção "Lendas, sereias, tesouros" é inspirada nessa incrível banda que foi fundamental para a minha formação de músico.

Cesar Gavin: Na sua carreira, o que conspirou a favor e o que teve dificuldade?

Marco Aguyar: A favor o amor incondicional à música. As dificuldades foram várias. Buscar uma identidade para o som, é preciso fazer algo que seja diferente. Há diversos compositores, cantores, instrumentistas, músicos excelentes e ter visibilidade no meio de tanta música, é complicado. Produzir um trabalho autoral, seja numa banda ou solo, a logística pra tudo isso não é nada fácil e se você não tiver determinação, desprendimento e coragem, irá desistir. Onde tocar, se manter fazendo apenas música, montar um show bacana, gravar um álbum? São coisas que dão trabalho. Tudo bem que hoje temos a internet e a possibilidade de fazer um disco ficou aparentemente mais fácil, mas por outro lado, eu acho que ficou ainda mais difícil de se ter visibilidade, o jeito de se ouvir música atualmente é muito diferente. Nem digo que seja pior ou melhor, mas é diferente e conseguir ser ouvido ainda é uma tarefa árdua.

Foto: Felipe Miranda

Cesar Gavin: Você tem alguma dica para viver de música no Brasil tocando rock, já que a música da massa é a intitulada "sertanejo"?

Marco Aguyar: A grande dica, se é que posso dar uma (risos), seria fazer outras coisas ligadas a música, lecionar, tocar com outros artistas, produzir, mas para isso é necessário você se dedicar ao máximo ao instrumento que deseja lecionar e no caso de produzir, a dedicação acredito é maior ainda. É preciso muita informação e experiência e ficar atento às novidades. Para lecionar, é preciso muita atenção no repertório, pois o que mais atrai um aluno é o repertório. Isso aprendi nesses anos dando aulas de violão .

Por outro lado, muitos não gostam de lecionar mas querem trabalhar só com música, uma solução interessante, é ser instrumentista para outros artistas, uma forma bacana de conhecer gente, contatos novos. Tocar sempre vai ajudar cada vez mais a evoluir no instrumento. Muitos amigos meus tem sua carreira e atuam como instrumentistas para outros e fazendo musica autoral, que é bem interessante. Tocar na noite é uma outra solução, mas esse assunto é bem mais amplo e seria necessário uma entrevista toda só para esse tema, que pode ser até polêmico às vezes, porque há muitas opiniões sobre tocar na noite.

Cesar Gavin: O seu disco é uma produção totalmente independente ou você teve apoio?

Marco Aguyar: Totalmente independente.

Cesar Gavin: Na faixa "Verdade" você cita, Rio, Bagdá e Nova York. O que estas cidades tem a ver com seu dia a dia?

Marco Aguyar: Nessa canção, eu quis falar que independente de onde se esteja, a violência está presente e viva. Tentei assim fazer um texto narrando algo comum entre essas 3 cidades. O mundo inteiro assistia pela TV o "11 de setembro" e mais tarde a retaliação dos USA. A guerra mais uma vez ali na tela da minha sala, como se fosse um vídeo game, só que real. Tentei me pôr no lugar dessas pessoas, dos dois lados, foi quando vi o depoimento da mãe de uma garota de 14 anos em março de 2003, Gabriela Prado Maia Ribeiro, que iria encontra-la na estação de metrô na cidade do Rio de Janeiro, pela primeira vez ela sairia sozinha e que ficou no fogo cruzado entre policiais e assaltantes, levando um tiro no peito, não resistindo e morrendo. Me tocou profundamente as palavras dessa mãe e acabei fazendo um verso, "Tiros a esmo / levando sonhos, mas não a esperança, o amor e a liberdade¨. Quase todas as palavras dela, que num momento de dor imensurável, ainda falava de amor e esperança. Tentei assim fazer uma canção que falasse de uma coisa que existia nessas 3 cidades, onde a violência imperava, assim como o amor e a esperança, citada na matéria. Por isso, falo de Nova Iorque, Rio e Bagdá.

Gabriela ficou famosa depois com uma foto fazendo aquele gesto, sou da paz e foi criada uma ONG muito bacana que o seu pai, Carlos Santiago Ribeiro e sua mãe Cleyde Prado Maia Ribeiro fundaram, a ONG "Gabriela sou da paz".

Cesar Gavin: Como é viver artisticamente em São José dos Campos?

Marco Aguyar: Tem seus prós e contras. Morando aqui, eu pude me livrar do aluguel, que era uma coisa muito cara em Sampa. Morei na capital por 15 anos e voltar para São José foi bem complicado no início. Sinto muita falta de São Paulo, muita, mas aqui tive a oportunidade de gravar meu segundo trabalho, coisa que estava bem difícil morando lá, trabalhar com pessoas talentosas daqui, como Fábio Alba do estúdio Oversonic, que fez uma bela mixagem do meu álbum, Marcel Soares, produtor e tecladista (que foi fundamental para os timbres e efeitos). Também consegui por em prática um projeto que chama-se, "Roberto e Erasmo rock Carlos", onde executo canções da dupla, dos anos 70 em versões diferentes e numa formação acústica com violões, bandolim, baixo e bateria, mas com pegada rock and roll. Coisa também que não conseguia fazer lá, mas perdi no lado cultural, infelizmente as coisas aqui em São José são difíceis, existem apenas 2 lugares que rolam música autoral. Nesse sentido perdi muito e a cena é bem segmentada.

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