Aquiles Priester - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Editor: Cesar Gavin

Data: 03/09/2012

Aquiles Priester Arquivo do artista

É com muita honra que entrevisto um dos melhores bateristas do mundo. Aquiles Priester divide aqui um pouco de sua trajetória musical nas bandas de Paul Di 'Anno, Angra, Hangar e também o teste que ele fez no grupo Dream Theater. O músico que de fã virou ídolo e largou a carreira de jogador de futebol. Saiba mais sobre o livro, os workshops, os shows e os palcos de Aquiles Priester, que está lançando com a banda Hangar o DVD "Haunted by your Ghosts in Ijuí/RS – Acoustic, but Plugged In and Live!".

O show está começando...

"Eu costumava ouvir as fitas cassetes com pilha fraca no meu walkman para entender melhor as viradas de bateria" (sobre seu começo de carreira)

Cesar Gavin: Você teve influências musicais da Africa do Sul, país onde nasceu? Aquiles Priester: Posso dizer que desenvolvi toda essa parte musical da minha vida aqui no Brasil, pois vim para cá com cinco anos de idade e até então meu contato com a música não tinha acontecido. Quando me mudei para Foz do Iguaçu, com 5 anos de idade, meus irmãos mais velhos já ouviam bastante The Beatles e Queen e foi dessa forma que tive contato com a música.

Cesar Gavin: Teve um momento da sua vida que quase virou jogador de futebol, mas a música mexeu mais. Como foi isso?

Aquiles Priester: Eu estava dividido, pois estava muito claro para mim que o futebol era a opção mais certeira e já estava bem encaminhada. No entanto, a decisão veio mesmo em 1987, quando a banda Stylo Livre (que foi considerada na época a primeira banda de rock de Foz do Iguaçu), começou a fazer shows e vi que aquilo me interessava tanto quanto o futebol. A cada dia da minha vida eu idealizava um futuro mais que perfeito, seguindo alguma das carreiras, mas acabei optando pela música, pois quando me mudei para Porto Alegre em 1988, nem cogitei ir fazer um teste em algum dos times gaúchos.

Nicko McBrain (Iron Maiden) e Aquiles Priester - Arquivo do artista

"O disco do Iron Maiden "Somewhere in Time" foi o que mais ouvi na minha vida e dúvido que apareça um disco que tome essa posição no meu ranking..."

Cesar Gavin: Você teve uma grande influência do Ultraje a Rigor e do Iron Maiden em sua carreira. O que estas bandas representam pra você?

Aquiles Priester: O rock nacional dos anos 80 teve um significado muito importante na minha vida. Todas as bandas, desde as mais obscuras, que nunca tiveram sucesso, até as bandas clássicas. Era uma época muito rica em termos de novos artistas nacionais que surgiam a todo momento e de alguma forma os discos sempre chegavam em Foz do Iguaçu. Os bateristas sempre foram importantíssimos para mim e eu costumava ouvir as fitas cassetes com pilha fraca no meu walkman para entender melhor as viradas de bateria. Meus grandes ídolos nacionais na bateria eram e continuam sendo os mesmos caras... João Barone, Leospa (Ultraje), Serginho Herval, Charles Gavin, Gel Fernandes (Rádio Taxi), Tonhão (Inocentes), Paulo Zinner, Felipe Jots (TNT), Carlos Maltz (Engenheiros do Hawaii), Claudio Infante (Kid Abelha), Kadu Menezes (Lobão), Lobão, André Jung (Ira!), Gutje Woorthman (Plebe Rude) e etc. E até hoje continuo ouvido tudo que esses caras têm feito. Alguns até pararam de tocar, mas ainda ouço as gravações da época. Depois dessa fase 100% nacional, me encantei pelo Iron Maiden, através do disco "Somewhere in Time". Não comecei a gostar de metal, era só Iron Maiden e isso durou até 1992, quando me tornei um amante de música pesada e técnica. Mas antes disso, eu comparava tudo a esse disco do Iron Maiden e tudo parecia tão sem graça perto dele. Disparado, o disco "Somewhere in Time" foi o que mais ouvi na minha vida e dúvido que apareça um disco que tome essa posição no meu ranking.

Cesar Gavin: Como foi gravar e tocar com Paul Di' Anno?

Aquiles Priester: Foi incrível! Depois que me tornei um Fã do Iron Maiden, eu sonhava e idealizava um monte de coisas, como todo garoto de 16 anos costuma fazer. Só não sabia que um dia isso poderia acontecer... um empresário foi assistir o primeiro show do Hangar em São Paulo, e me convidou para o projeto que seria gravar o disco e fazer uma turnê com um ex-vocalista internacional de uma grande banda. Eu nem quis saber o nome, falei que eu estava dentro. Foi depois dessa tour que as coisas realmente começaram a acontecer e as pessoas ficaram sabendo que tinha um novo baterista de metal no Brasil.


Aquiles Priester - Arquivo do artista

Cesar Gavin: Você foi bem criterioso para fazer o teste no Angra. Sua intuição era certa para o ingresso na banda?

Aquiles Priester: Eu confiava em mim pelo tempo que eu já estava tocando o estilo. Fora isso, eu sempre fui muito obstinado nas coisas que realmente me interessam e entrar numa banda como o Angra era algo que faltava na minha carreira. Eu sabia que era um grande passo na minha vida.

Cesar Gavin: Como foi tocar no Angra e ter o sucesso mundial?

Aquiles Priester: Foi incrível e sou muito grato por tudo que passamos juntos. Fizemos grandes discos e grandes shows que ficarão para sempre na história do metal mundial. Ajudamos muito a cena do metal nacional, numa época que não acontecia muita coisa nova e fomos responsáveis pela nova safra de bandas e fãs de metal aqui no Brasil.

Cesar Gavin: Ser eleito melhor baterista por 11 anos consecutivos pelos principais veículos do heavy metal no Brasil é coisa rara na carreira de qualquer artista. Como fica o fã que virou ídolo?

Aquiles Priester: Realmente 11 anos consecutivos é algo muito especial para mim. Divido isso com todos os fãs e amantes de bateria do Brasil. Sou muito grato a eles, pois são esses caras que me proporcionam a vida que tenho, que é viajar e mostrar para todos uma forma especial de se encarar o instrumento. Quando estou fazendo workshops ou shows, não quero que aquele momento acabe nunca e quero que as pessoas percebam essa minha paixão pelo palco. Não existe melhor lugar no mundo para mim...

Cesar Gavin: Você é o fundador do grupo Hangar. Como é manter uma banda de heavy metal no brasil bem sucedida e reconhecida no exterior?

Aquiles Priester: Ser fundador de uma banda de metal no Brasil é um dos maiores desafios que se pode ter... especialmente se a banda faz tudo sozinha. Não temos nem empresário ou agente e somos responsáveis por tudo que envolve a banda, desde o planejamento da gravação e composição, passando pela confecção do merchandising, estratégia de marketing, planejamento dos roteiros de viagem e também pela agenda. Conseguimos manter uma média de 100 a 120 eventos por ano (Workshops e shows acústicos e elétricos). Não é fácil, mas se não colocarmos a mão para fazer tudo, com certeza o resultado não seria o mesmo.

Cesar Gavin: Me fale do lançamento do DVD do Hangar que está sendo lançado.

Aquiles Priester: Estamos completando 15 anos de banda em 2012 e o nosso primeiro DVD (Haunted by your Ghosts in Ijuí/RS – Acoustic, but Plugged In and Live!), acaba de chegar às lojas. Estamos muito felizes por ser a primeira banda de metal do Brasil a se enveredar por esses novos caminhos e tenho certeza que será um grande sucesso, pois as expectativas estão muito grandes. Por incrível que pareça, o disco Acoustic, but Plugged In! de 2011, é o nosso disco de maior venda no primeiro ano de mercado e isso mostra que o Fã de metal está mais aberto e adepto que nunca, que para ele o que importa é a qualidade e a fidelidade ao estilo. Mesmo sendo acústico, soa pesado e isso é algo que não abrimos mão, a nossa identidade ligada ao heavy metal. Hoje a mãe do nosso fã escuta heavy metal e isso faz toda a diferença para a molecada, pois aproxima mais os pais dos filhos e vice-versa.

Set Aquiles Priester - Arquivo do artista

Cesar Gavin: Como foi seu teste no Dream Theater?

Aquiles Priester: Com certeza foi a coisa mais incrível que já aconteceu em minha vida musical. Só o fato de ter sido convidado para participar da audição mais importante da história da bateria moderna, é algo surreal para a carreira de um brasileiro. Isso com certeza impulsiona a minha carreira e também coloca o Brasil em posição de destaque, pois mostra que temos qualidade musical para tocar com músicos do mundo todo. Todas as pessoas envolvidas no processo todo foram muito gentis e recentemente quando fui ao show da banda em São Paulo, fui extremamente bem recebido.

Outra coisa que essa audição me proporcionou foi uma exposição descomunal no mundo e isso acabou ajudando na minha participação no Modern Drummer Festival 2011. O DVD foi lançado no final do ano passado e com isso ganhei ainda mais visibilidade. Fora isso tudo, para coroar ainda mais essa a minha participação, fui indicado pelo John Petrucci (guitarrista do Dream Theater), para fazer uma tour européia com o guitarrista americano Tony MacAlpine.

Ou seja, nem sempre um não significa o fim. Dependendo do ponto de vista, pode ser muito bom também.

Cesar Gavin: Gostaria que você contasse um pouco da sua auto-biografia e também do DVD "The Infallible Reason of my Freak Drumming".

Aquiles Priester: Resolvi lançar minha biografia, pois muitas pessoas me diziam que gostariam de saber um pouco mais sobre a minha história e que de alguma forma, eu os tinha influenciado. Minha história com a música é algo que realmente me surpreende até hoje pelas dificuldades enfrentadas e pelo rumo que as coisas foram tomando. Depois que lancei minha biografia, comecei a ser convidado para realizar palestras sobre marketing musical e isso é algo que tem me feito muito bem, pois posso dividir um pouco da minha experiência com as pessoas. O DVD The Infallible Reason of my Freak Drumming foi lançado no mundo todo pela empresa norte-americana Mel Bay e foi eleito em 2011 pela revista Modern Drummer USA, o 3º melhor DVD instrucional do mundo. Nesse mesmo ano, entrei na votação como 5º melhor baterista de Prog do mundo. Depois da exposição que o meu DVD teve no mundo todo e também por causa da audição com o DT, muitos bateristas enviaram mensagens para a fábrica da Paiste na Suíça, querendo comprar o meu ride protótipo 2002 de 18” que usei na gravação do meu DVD. Isso gerou uma demanda que não existia e com isso a Paiste resolveu lançar o prato no mundo todo. Estou muito feliz com tudo que está acontecendo na minha carreira, e tenho certeza que têm mais coisas boas vindo por aí...

Deixo aqui me abraço e desejo muita sorte e sucesso a todos!

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