Kid Vinil - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista Kid Vinil (apresentador e cantor do Magazine)

Editor: Cesar Gavin

Data: 02/08/2012

Kid Vinil Xperience - Arquivo de Carlos Nishimiya

Aqui está um ícone do rock brasileiro. Kid Vinil, o herói do Brasil! Ele foi um dos "promotores" do punk rock brasileiro. Trabalhou como diretor artístico de gravadora, apresentou programas de rádio e tv e ainda foi cantor das bandas Verminose, Magazine, Kid Vinil e os Heróis do Brasil e atualmente integra o Kid Vinil Xperience. Além de tudo isso, Kid ainda arruma tempo para escrever nos seus blogs, discotecar pelo Brasil afora e apresentar palestras.

O primeiro compacto 7" que comprei foi o "Sou Boy" do Magazine. Meu convívio com o Kid é desde criança. Acompanhei sua carreira de perto desde a época do Verminose. Um dos momentos que mais me marcou foi assistir a passagem de som do Magazine no Sesc Pompéia em 1983. Quando eu era produtor artístico na MTV, tive Kid como parceiro durante sua direção artística da gravadora Eldorado. Mais tarde, por 4 anos, trabalhamos juntos na gravadora Trama. Tive a oportunidade de fazer a produção executiva do disco "Na Honestidade" do Magazine e também atuar como produtor da banda em eventos daquela época. O mais divertido era sair com o Kid para comprar discos. Uma aula! Em uma das vezes, atormentei ele pra reservar pra mim em um atacadista a box de cds do Capital Inicial, que foi lançada apenas 1000 cópias. Momentos bons, que o cd e o lp imperavam na mídia. E ainda sou muito grato a ele por ter cedido uma entrevista para minha monografia da faculdade.

Kid Vinil se envolve em muitos projetos. Recentemente foi lançado o almanaque "Popcorn", que tem apresentação por ele e que relata filmes de rock e também sobre suas trilhas sonoras.

Saiba mais do nosso herói e de toda sua carreira. O show está apenas começando...

"Foi uma época interessante! Deixei de ser o Antônio Carlos executivo da gravadora Continental pra ser o personagem Kid Vinil no rádio, na TV e na música..." (sobre sua carreira artística)

Cesar Gavin: Você acha que o rock brasileiro terá novamente um reinado na música brasileira como foi nos anos 80?

Kid Vinil: Acho difícil. A década de 80 foi algo inesperado, era preciso que acontecesse aquele movimento inusitado. A música brasileira estava num certo marasmo e abriu uma brecha pro rock. Ainda não existiam essas coisas sertanejas, axés e pagodes nas FMs e isso facilitou as coisas. As rádios ainda tinham critério pra tocar música, mas quando o sertanejo invadiu as FMs, a coisa degringolou e tudo virou brega e o rock acabou perdendo espaço para coisas mais populares como axé, pagode, funk, etc. Realmente seria muito difícil a mídia abraçar um novo movimento de rock, como eles aderiram na década de 80. Hoje o rock de qualidade segue pelo underground e nos selos independentes.

Cesar Gavin: Eu sei muito bem do tamanho da sua coleção de discos. Qual deles você comprou várias versões diferentes (capa, remasterizado, bônus)?

Kid Vinil: Hoje por exemplo eu recebi pelo correio minha terceira edição em vinil do "Rock and Roll Animal" do Lou Reed. Adoro esse disco e queria ter uma edição americana lacrada só pra constar. Outro que tenho varias edições em vinil é do The Faces "A Nod As Good As a Wink... to a Blind Horse". Outro é o "Abbey Road" dos Beatles. Eu tenho:

1- A primeira edição brasileira em capa sanduíche (aquela plastificada da EMI)

2 - A reedição brasileira nos anos 80

3 - Tenho também uma edição americana de aniversário que saiu numa caixa com poster e camiseta

4 - E recentemente adquiri uma edição holandesa. Uma caixa com 4 lps e 3 cds e a capa da caixa em 3d (imagine eles atravessando a Abbey Road em 3D, lindo!)

5 - Fora outras reedições em cd. Acho que são três.

Cesar Gavin: Qual é a experiência do Kid Vinil Xperience?

Kid Vinil: O nome faz muita gente pensar em Hendrix, mas na década de 60, muitas bandas menores usavam esse nome Experience como segundo nome e resolvemos adotá-lo. Na verdade a gente não se prende nos anos 60 ou qualquer outra década. Tocamos de tudo, além do repertório do Magazine. Lançamos um cd ano passado chamado "Time Was". Foi uma prensagem independente pra vender nos shows e gravamos um repertório de pérolas e lados Bs do anos 60, 70, 80 e 90, mas só obscuridades. Agora estamos preparando pra lançar um cd ao vivo com repertório do Magazine.

Kid Vinil entrevistando Ian Gillan no programa Som Pop em 1992 - Arquivo Kid Vinil

Cesar Gavin: O rock inglês te atrai mais do que rock americano? Por que?

Kid Vinil: Depende, na década de 80 eu achava isso, mas nos anos 90 veio o grunge e as guitar bands americanas e eu fiquei dividido. Hoje sou bem mais eclético. Ouço os canadenses, os suecos, até os japoneses. Na verdade o rock inglês foi marcante desde Beatles e Stones e a chamada invasão britânica, o rock progressivo, o glam rock, o punk e até mesmo o britpop dos anos noventa.

Cesar Gavin: Dos filmes citados no livro "Popcorn", qual deles te marcou mais e por que?

Kid Vinil: O primeiro foi "Easy Rider", um clássico, não só pela trilha, mas pelo conceito de liberdade numa América tão repressiva dos anos 70. O segundo foi "Gimmie Shelter" dos Stones, que apesar do incidente da morte do negro pelos Hells Angels, a performance de Mick Jagger é algo marcante e a banda estava no seu auge de criatividade. Um que não esta no livro, mas eu colocaria pela atitude é "Laranja Mecânica", que apesar de não ser um filme de rock, tem uma postura que influenciou e continua influenciando gerações.

Cesar Gavin: Ainda sobre o livro, cite a trilha sonora que mais lhe agradou.

Kid Vinil: A do "Pulp Fiction" é muito boa, e claro "Quadrophenia" do The Who.

Cesar Gavin: Quando você foi diretor artístico de gravadora, qual álbum que você negociou e lançou no Brasil e que te encheu os olhos de orgulho?

Kid Vinil: Na Eldorado foram os discos do Frank Zappa. Na Trama, os discos do Belle And Sebastian.

Kid Vinil cantando no grupo Verminose - Arquivo Kid Vinil

Cesar Gavin: Você foi um dos visionários no começo dos anos 80, o porta voz do punk nacional e no mesmo período, começou a tocar no seu programa de rádio bandas que mudariam o rock brasileiro. Como foi isso?

Kid Vinil: Foi meio que por acaso. Nunca tinha feito rádio e de repente surgiu um teste na antiga Excelsior por sugestão do meu chefe na época, o compositor Vitor Martins. Fiz o teste, criei o personagem Kid Vinil tocando punk rock e new wave e pra minha surpresa, o diretor da rádio adorou e colocou logo de cara o piloto do programa no ar. Foi uma felicidade e dai as coisas começaram a acontecer. Eu adorava punk e new wave. Vivia em Londres vendo shows e trazendo discos. Isso facilitou minha entrada na rádio.No lado do rock brasileiro, como eu vivia envolvido com todas as bandas que estavam começando (Inocentes, Cólera, Olho Seco, Ira!, Ultraje a Rigor), todos iam no meu programa e dai a coisa começou a tomar formato.

"A super exposição, a princípio, me incomodava, tirava minha privacidade, não podia nem sair mais na rua.."

Magazine em 1983 - Arquivo Kid Vinil

Cesar Gavin: O sucesso do Magazine mexeu muito com a cabeça do Kid Vinil? Como ficou o Antônio Carlos Senefonte nessa época?

Kid Vinil: Foi uma época interessante! Deixei de ser o Antônio Carlos executivo da gravadora Continental pra ser o personagem Kid Vinil no rádio, na TV e na música. A super exposição, a principio, me incomodava, tirava minha privacidade, não podia nem sair mais na rua, ir a feira ou ao supermercado, mas depois acostumei com isso.

Cesar Gavin: Você ouve mp3 ou se recusa por preferir os discos?

Kid Vinil: Recuso totalmente. Detesto ter que baixar alguma coisa. Aliás, nem sei mais como se faz isso, hoje uso um Mac e nem quero saber como se descompacta um arquivo zipado. Meu negócio e comprar cd e vinil, seja lá onde for. Não tenho nada contra mp3, mas prefiro o formato físico.

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