Ney Haddad - Entrevista


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Entrevista com Ney Haddad (baixista das bandas Mobilis Stabilis e The Caviars Blues Band)

Editor: Cesar Gavin

Data: 25/06/2012

Arquivo do artista

"Senti o gostinho da fama. Por um curto período de tempo, viajei pelo Brasil e para o exterior"

Todo mundo pensa que tocar é fácil! Quem disse? Músico de verdade é aquele que estuda! O paulistano Ney Haddad é a prova disso! Começou cedo, aos 13 anos quando morava em Ribeirão Preto (SP). E já se foram 37 anos!

Tive oportunidade de acompanhar a carreira do Ney diversas vezes, desde 1989, quando eu frequentava seu estúdio de gravação, o Quorum, local conhecido e point de diversas bandas do rock brasileiro, localizado no bairro da Pompéia, em São Paulo, berço de onde surgiram os Mutantes, Tutti Frutti, Made In Brazil e muitos outros.

Ney trilhou sua carreira brilhantemente, tocando em vários grupos e em diversos lugares. Com todo o tempo tomado, ainda consegue acumular funções de empresário, engenharia de som e produção musical.

Nesta entrevista, Ney Haddad descreve sua relação com a música, inclusive o período que morou em Londres quando foi estudar engenharia de gravação, motivo que lhe proporcionou abertura para ter formado algumas bandas na terra da rainha. As curiosidades de sua carreira e sua a passagem pelas bandas de Paulo Ricardo / RPM e Kiko Zambianchi e as atuais Mobilis Stabilis e Caviars Blues Band também se destacam.

Com vocês, Ney Haddad!

Cesar Gavin: Como você começou na música? Eu sei que Você começou cedo estudando em um conservatório?

Ney Haddad: Montamos uma bandinha no ginásio, queríamos ser iguais ao Led Zeppelin e Deep Purple, mas ninguém sabia nada de nada. Era assim: “quem ia tocar o que?”… então sobrou o baixo para mim. E aí é que eu fui ver o que era a música mais por dentro mesmo e acabei estudando em conservatório, mas não por muito tempo.

Cesar Gavin: Você morou dois anos em Londres (de 1985 a 1987). Como foi sua passagem por lá? Estudos, bandas, shows? Quem você viu tocar ao vivo?

Ney Haddad: Foi ótimo! Eu trabalhava para pagar meus ingressos de shows. Ví muita coisa legal lá, como o Level 42, Miles Davis, Stephane Grappelli, Joe Pass, Marillion, Paul Young, Jeff Berlim… e muito mais. Fiz 2 cursos de gravação em estúdios. Na época ainda eram gravadores de rolo, foi bem legal. Trabalhei como auxiliar num estúdio por 6 meses e toquei um pouco na noite com repertório de música brasileira. Tive uma banda com uns ingleses chamada “The Reptile House”. Eu mesmo gravei a demo… foi a minha primeira e pra mim, foi o máximo. Assisti a vários workshops e fui a várias feiras de música, lojas de instrumentos e lá, acabei comprando meu baixo "Alembic" na loja Bass Centre.

Cesar Gavin: Como foi a implantação do estúdio Quorum? E porque virou um "point" do rock brasileiro?

Ney Haddad: Quando voltei da Inglaterra, alguns dias depois, o Kiko Zambianchi, que é de Ribeirão Preto estava fazendo um baita sucesso na época. Ele passou em casa e me convidou par ir para Sampa trabalhar com ele. Fui na hora. Lá na casa dele no bairro Morumbi, conheci bastante gente de musica. Aí resolvemos ser sócios num estúdio, mas quando a estrutura estava quase pronta, acabamos desistindo da sociedade e fiquei sozinho.

O baterista Maurício Leite me ajudou muito no começo e me apresentou um aluno dele, o Jeff Molina, que estava interessado em trabalhar com estúdio. Aí começou devagarzinho… patrocinei bandas legais que eu conheci na casa do Kiko. Uma delas era o Luni. Depois vieram os Mulheres Negras, o próprio Kiko Zambianchi e aí começou a vir todo mundo.

Arquivo do artista

Cesar Gavin: Eu acompanhei de perto (nos ensaios) a banda Neanderthal, que você tocou no começo dos anos 90. Você acha que o grupo estava à frente daquela época? E por que?

Ney Haddad: Não acho que estávamos a frente, mas tínhamos um trabalho muito bom. Trabalhamos muito em cima dele e ensaiávamos bastante, como você deve lembrar. Isso deu consistência ao som e respeito à banda

Cesar Gavin: Como foi tocar com Kiko Zambianchi e Paulo Ricardo / RPM?

Ney Haddad: Foi ótimo! Senti o gostinho da fama. Por um curto período de tempo... (risos). Viajei pelo Brasil e para o exterior. Equipe com estrutura na estrada e até um dinheirinho legal. É o sonho de todo músico quando começa na carreira.

"Tocar com músicos deste nível, só te faz melhorar"

Cesar Gavin: Como você consegue ser produtor, engenheiro de som, produtor musical, empresário e ainda ser músico das bandas Mobilis Stabilis e The Caviars Blues Band?

Ney Haddad: Meu, quando se faz o que gosta e com organização, é possível conciliar as coisas. Ainda assim, tudo é meio conectado, o que facilitam as coisas. Com o Mobilis Stabilis, a parceria com o Hélcio Aguirra (guitarrista), tanto na música como em banda, é ótima! O Mobilis me fez por conta das circunstâncias tocar com o baterista Alaor Neves, que dispensa apresentações. Temos 3 cds lançados e 12 anos de banda. É uma história e tanto! Tenho orgulho de fazer parte disso.

A Caviars Blues Band também me dá a oportunidade de tocar e compôr com caras como o Mauro Hector, que ainda vamos ouvir muito falar dele, pois é um guitarrista diferenciado e o Guappo Sauerbeck, que é um grande gaitista e vocalista e que conhece muito a música. Ele me apresenta sempre coisas novas e antigas, que eu não conheço, fora o Alaor que está nessa também. Tocar com músicos deste nível, só te faz melhorar. Mas o melhor de tudo isso é que ficamos grandes amigos e isso pra mim é muito importante.

Cesar Gavin: Como você avalia a "nova" safra artística? Destaca algum?

Ney Haddad: O que está bombando na mídia, infelizmente não acho nada interessante, mas tem muita gente com trabalho sério e bom por aí. Temos que pesquisar um pouco, se quisermos conhecer música de qualidade hoje.

Cesar Gavin: Quais baixistas te influenciaram?

Ney Haddad: Nossa! Tantos… cada um numa fase diferente da minha vida e carreira. Cito alguns: Jeff Berlim, Johnny Oliveira, Jaco Pastorius, Sizão Machado, Nico Assunpção, Marcus Miller, Mark King, Tony Levin, Serginho Carvalho, Glenn Hughes, Lee Marcucci e por aí vai... tenho bom gosto, não (risos)?

Arquivo do artista

Cesar Gavin: Se você voltasse no tempo, tem alguma coisa que faria diferente na carreira? Por que?

Ney Haddad: Sim! Teria me dedicado muito mais aos estudos do que ido para a estrada direto… porque hoje eu sinto que se tivesse estudado mais, estaria tocando melhor, seria mais versátil e não teria os limites que eu tenho.

Cesar Gavin: Você pode indicar seu equipamento?

Ney Haddad: Meus baixos são :

- Music Man Stingray 5 - pau pra toda obra

- Fender Jazz Bass 1978 - classicão, belo som

- Jaques Molina 2001 - esse é único! Não tem igual. Comprei as madeiras cruas com o Jaques (guitarrista e luthier) numa madeireira e as peças nos EUA (trastes, captadores, cravelhas, parte elétrica, tudo). Impressiona tanto pelo design, que é único e também pelo som, que é bom demais!

- Gianinni Stratosonic (anos 70) - tô envenenando ele e é ótimo para botar na noite e para tocar em bares, etc

- Baixolão Strinberg - bom para acústicos!

- Amplificador Gallien Kruegger 400 RB - esse também é pau pra toda obra

- Trace Elliot series 6 - uso pra gravar.

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