Anna Paula Marchesini - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista com Anna Paula Marchesini (cantora do The Soundtrackers)

Editor: Cesar Gavin

Data: 13/06/2012

Anna Paula Marquesini - Arquivo pessoal da cantora

Anna Paula Marchesini fala de como foi parar na China e suas participações nas bandas do Ratinho e do The Soundtrackers

Um dia ela quis ser aeromoça, pensou em ser professora, mas a música a levou! Paula Marchesini começou a cantar ainda adolescente, aos 16 anos. Foi descoberta pelo maestro Záccaro, passou seis meses na China cantando pop rock e há alguns anos vem se destacando com sua voz e performances. Desde 2008, Paula faz parte da The Soundtrackers, que como o nome já diz, tocam trilhas sonoras de filmes inesquecíveis, banda que tem como integrante o guitarrista e fundador Rodrigo Rodrigues (apresentador do Canal ESPN Brasil). Além deste trabalho, Paula faz parte da banda do Ratinho, programa exibido no SBT.

CG: Como foi ingressar ainda jovem na Orquestra do Zaccaro?

APM: Foi uma surpresa, pois eu fui levada meio "na marra" à gravação do programa dele o "Italianíssimo" na antiga Rede CNT, por um grande amigo meu, o Roberto Nardi. Chegando lá, o Záccaro, me perguntou qual música italiana eu sabia cantar. Eu disse: "La Solitudine da Laura Pausini". Ele começou a tocá-la no piano e eu fui cantando do meu jeito, muito tímida (risos), até que ele fechou o piano e perguntou o que eu faria naquele final de semana. Eu disse: "não tenho compromisso. Por que? Ele pegou uma fita cassete com músicas gravadas pela orquestra e falou: "vai treinando esse repertório pra você cantar sábado com a nossa orquestra no Club Homs". Sem entender muito bem o que era tudo aquilo, fui pra casa, ouvi as músicas e fui ao Club Homs na Av. Paulista com meu pai. E ali começou tudo. Meio "sem querer".

CG: Eu sei que você foi convidada para cantar na China. E lá entrou cantando MPB e saiu se destacando cantando rock internacional. Como foi isso?

APM: Na verdade foi ao contrário. Fomos levados pra lá por outro grande amigo, o Fred Richie. Ele sempre assistia aos ensaios que eu fazia com alguns amigos músicos no estúdio do meu irmão no bairro Bixiga... e ele adorava! Fred trabalhava com exportação e nunca tinha trabalhado com bandas, apesar de ter um grande sonho de se tornar cantor (ele chegou a se apresentar por algumas vezes no programa do Faustão), pois fez uma versão da música "Pensa em Mim" do cantor Leonardo em chinês. A idéia quando chegasse em Macau era tocar músicas brasileiras. Fizemos a festa de abertura de um Cassino chamado "The Cave". Foi uma grande festa! Todos esperavam para ver a banda brasileira, mas as batidas assustaram um pouco... eles se divertiram muito, apesar de não estarem entendendo nada.

A nossa música e o nosso figurino eram muito fortes Às vezes eu me sentia um pavão...hahahha! Mas foi um baita aprendizado musical. Os chineses nos receberam muito bem.

CG: Em 2004 sua voz ficou conhecida na rádio Jovem Pan, certo? Quem te descobriu?

APM: Fui acompanhar meu irmão em uma visita à gravadora Building Records. Ele havia feito contato com o Dj Tibor, que trabalhava lá na época. Chegando lá, contei que tinha acabado de voltar da China.

Ele pediu pra eu cantar algo... e aí me convidou para gravar algumas músicas em Inglês para o disco "As Sete Melhores da Joven Pan", de 2004. Gravei algumas músicas, dentre elas uma inédita chamada "Take Me To Paradise". Tocou bastante na rádio e foi engraçado tudo isso, pois a primeira vez que me ouvi no rádio, foi cantando esta música e eu estava dentro de uma loja num shopping aqui em São Paulo. E aí eu dei um grito e falei pra todos os vendedores: "sou eu... sou eu quem está cantando (risos)". Óbvio que nenhum vendedor acreditou. Eles riram da minha cara, mas eu sabia que era eu e isso que importava naquela hora.

CG: E sobre as gravações de jingles? É mais fácil interpretar músicas ou gravar um jingle? Qual foi o que mais gostou?

APM: As gravações de jingles são sempre muito gostosas de fazer. O clima dentro do estúdio é maravilhoso! Muitas idéias, muitas risadas e tudo muito rápido, isto é, pra ontem... mas pra mim, interpretar canções é o que há de melhor. Não é mais fácil não, é mais desafiador, é mais trabalhoso (sem dúvida). A música só vai ficar boa, só vai existir, se você der tudo de si na hora de cantá-la! Gosto disso!

CG: Nos shows do The Soundtrackers, a sua caracterização de personagem no palco é a Mamba Negra do filme Kill Bill, mas nos bastidores, como é sua colaboração pra banda (arranjos, repertório, etc)?

APM: Olha eu mais dou trabalho do que palpite, viu ... (risos)?

Todos dão opinião sobre repertório e arranjos. Fazemos reuniões periódicas na casa do Rodrigo Rodrigues pra decidir tudo isso. Quando chegamos, vou para a cozinha e mexo em tudo. Falamos besteira... é sempre uma festa, mas na hora do nosso ensaio é tudo muito sério, se eu acho que não estou interpretando direito, vou lá fora, tomo um café e aí começamos tudo de novo. Os meninos tem muita paciência comigo. Sempre estudo bastante uma música antes de ensaiá-la com a banda toda. Eu primeiro tenho que me entender com ela (a música), antes de tocá-la com toda a galera. Na hora do show também é tudo muito sério e é sempre como se fosse o último show... a gente entra pra "quebrar tudo". Sempre!

Anna Paula Marchesini interpretando Mamba Negra (filme Kill Bill) no Soundtrackers. Foto: Dani Coen

"Todos os dias, pesquiso músicas que tenham a ver com o programa, me coloco no lugar do telespectador. Penso o que eles gostariam de ouvir" (sobre o programa do Ratinho)

CG: Que trilha de cinema você indica para os leitores?

APM: Poxa... nesse exato momento eu indicaria a trilha inteira do filme Grease. É um filme lindo! Um dos meus preferidos! Gosto tanto que na Soundtrackers (na primeira formação), meu personagem era a Sandy do filme, interpretada pela grande Olivia Newton John!

CG: Eu sei que seu gosto para cantoras é eclético. De Janis Joplin a Maria Bethânia. Como é isso?

APM: Pois é, me lembro até hoje que quando ouvi pela primeira vez a voz da Janis, eu falei pra mim mesma: "eu quero fazer isso"! Foi muito forte!

Em casa o que sempre rolou na vitrola, foi o Rei Roberto Carlos e o Raul Seixas. Cresci ouvindo isso diariamente. A Maria Bethânia comecei ouvir na minha adolescência (sempre influenciada pelo meu pai) e me encantava aquele timbre mais grave e a maneira como ela cantava, sem pretensão, sem pressa, sem pressão, no tempo dela. Isso é incrível pra mim. Sempre que ouço um disco da Bethânia, paro tudo o que estou fazendo pra ouvir e fico quietinha ali, como que um aluno anotando todas as dicas do professor(a).

CG: Sobre a gravação do DVD do The Soundtrackers, como foi cantar ao lado do Ritchie e a Claudia Gomes (banda Vega)?

APM: Foi uma festa! Eles são nossos amigos e é sempre bom trabalhar nesse clima.

Quando vi o Ritchie, demorei um pouco pra acreditar. O abracei, fiquei olhando (poxa, sou fã do cara), trocamos várias figurinhas. Foi um presente tudo isso pra mim, sem dúvida!

CG: como é o seu trabalho de cantora na banda do Ratinho?

APM: Nossa é uma loucura! Mas muito divertido, sem dúvida! O dia que não vou (por conta dos compromissos e shows com a Soundtrackers), sinto muita falta daquela loucura.

Todos os dias, pesquiso músicas que tenham a ver com o programa, me coloco no lugar do telespectador. Penso o que eles gostariam de ouvir e quais são os artistas preferidos deles. E quando sobra um tempinho, sempre converso com a platéia e pergunto quais músicas eles gostam mais que a gente toque e por aí vai.

Quando recebemos os artistas famosos, é sempre uma correria, com letras, tons e tudo mais. Temos que estar afiados pra ensaiar com eles, né? Tem que estar tudo bonitinho... (risos)!

Sem deixar de lembrar também das músicas preferidas do Sr. Carlos Massa, porque quando ele não gosta, sai de baixo que sobra água, farinha o que ele tiver na mão...adoroooo!

CG: Quando não está cantando, o que você gosta de fazer?

APM: Quando não estou cantando profissionalmente, estou cantando de mentirinha. Não tem jeito, acho que vai ser sempre assim, se Deus quiser!

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