Percio Sapia - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista Percio Sapia (baterista do Zimbo Trio)

Editor: Cesar Gavin

Data: 30/05/2012

Percio Sapia - Foto reproduzida do site http://perciosapia.wordpress.com

Tenho a honra de entrevistar o professor, arranjador e um dos melhores bateristas deste país, Percio Sapia. Não posso negar minha admiração por ele, pois fomos vizinhos da mesma rua e com isso, pude acompanhar sua carreira desde o início, apesar de eu ser 8 anos mais novo. Me lembro que ele reunia os garotos da rua em sua casa para ouvirem "Emerson, Lake & Palmer". Percio improvisava uma bateria: as baquetas eram 2 antenas de TV e os tambores...

ah... os tambores eram almofadas em cima de alguns móveis e daí ele tocava ouvindo o LP e em cima, como se "dublasse". Era o começo de tudo. Foi dessa turma também que meu irmão virou baterista. Anos mais tarde toquei com o irmão dele (Percio), o Fernando Sapia na banda Imagem do Som em 1991 (eu no baixo e Fernando na guitarra).

Percio está lançando seu primeiro disco solo "Agora Sim (Brasil Jazz)", um trabalho que se consolidou com mais de 9 meses de produção somados a um repertório refinado e acompanhado por músicos diferenciados. Além de estar na fase de divulgação do CD, Percio se divide em trabalhos como supervisor do departamento de bateria da escola de música Clam, colunista da revista Modern Drummer e ainda toca com o grupo Zimbo Trio, banda que um dia acompanhou Elis Regina.

Abaixo a entrevista que Percio relata toda sua carreira, o lançamento do disco e a entrada no Zimbo Trio.

CG: Como foi o processo de escolha do repertório? Quanto tempo durou toda essa produção?

PS: Quando surgiu a oportunidade de gravar um CD, pensei em músicas que eu curtia e que não eram conhecidas. Durante a minha carreira encontrei muita gente compondo muita música boa e por acaso esses músicos são meus amigos, então convidei alguns caras que estão comigo sempre, Marinho Boffa, Conrado Paulino, Amilton Godoy, Debora Gurgel, Rudy Arnaut, Fernando Mota e Lito Robledo. Todos eles cederam suas músicas para compor este trabalho. A única que é conhecida do publico é Nanã do grande Moacir Santos, essa eu toco com o Rubinho Barsotti em dueto.

Começamos gravar em fevereiro de 2011 e terminamos em novembro do mesmo ano. Até juntar todos os musicos foi uma encrenca, são 16 músicos distribuídos em 8 faixas. Cada faixa tem um time diferente, mas o interessante é que conseguimos uma unidade no som.

CG: Você gravou só com músicos renomados. Como foi o entrosamento nas gravações? Muitos já tocaram com você... PS: Essa foi a parte mais fácil e prazerosa do trabalho. Como todos são músicos fantásticos e já trabalhei e trabalho com quase todos, foi entrar no estúdio abrir as partituras e sair tocando, geralmente o primeiro ou segundo "take" já era a definitiva. O dono da música trazia as partituras com um arranjo já determinado e lá no estúdio a gente mudava aquilo que queria sem estress...muito relax mesmo !

CG: Você teve um cuidado especial com a arte do CD. Algo raro hoje em dia. Isto vem pelo seu amor aos discos? PS: Eu realmente adoro os LPs, além de trazerem um som com profundidade e todo espectro de sons de uma gravação, tem a parte da capa, contra-capa, encarte e o tamanho das fotos e/ou desenhos. Quando eu chegava em casa depois de comprar um disco (LP) ficava com a capa nas mãos durante todo o som, ou seja, entrava no trabalho não só com os ouvidos...

Tive uma sorte incrível em encontrar o Lucas Lenci e o Ciro Girard, estes dois caras foram fundamentais neste processo. O Lucas é um grande fotógrafo e um cara ultra sensível, musicalmente falando. O Ciro é de uma inteligência e humor raríssimos de se encontrar num único indivíduo. O mix dos dois ... eu curti muito a arte do CD!!!

CG: Se você fosse mostrar a sua regravação de Nanã para o maestro Moacir Santos (compositor da faixa) e para Wilson Simonal (o grande intérprete deste sucesso), o que você diria aos dois? PS: Agradeceria aos dois por nos proporcionar tanta musicalidade e suingue. Sem dúvida vocês nos mostraram um caminho na música brasileira que será eterno! Muito obrigado!

CG: Você começou tocando heavy metal e posteriormente foi parar no jazz. O processo foi longo ou aconteceu naturalmente? PS: Comecei dando umas porradas em tudo que eu achava que dava um som legal.

Entrei no Zero Hora no lugar do "nosso" irmão Charles Gavin. A partir dai, acho que pelo fato do meu Pai ser músico e ter uns 3000 discos em casa, fui tocando de tudo e com todos os gigs possíveis. Fiz todo tipo de baile, evento, show, gravação e filmagem. O processo é lento, assim como a natureza não dá saltos, nós também não. E tocar de tudo te dá confiança e estrada pra fazer o seu som, ou seja, usar a sua impressão digital.

CG: Como foi a sua passagem de aluno para professor de bateria? PS: Fiz aula no CLAM Escola de Música do Zimbo Trio com um dos maiores educadores do Brasil, João Rodrigues Ariza, o Mestre Chumbinho.

Aprendi com ele não só como fazer, mas também como ensinar. Toda aula com o Chumbo era uma preparação para a bateria em qualquer sentido. Isto foi de 1976 até 1979. Em 1986 fui ao CLAM visitar meu amigo e mestre e recebi um convite para lecionar. Em 1987 já era Supervisor do Depto de Bateria do CLAM, onde estou até hoje.

CG: Pode nos descrever como foi o ingresso no Zimbo Trio?

PS: Resumindo a história, o Rubinho Barsotti estava internado após uma cirurgia e me pediu para substituí-lo nos trabalhos que o Zimbo tinha se comprometido naquele período. Foi como o Pelé sair de campo e te chamar pra bater um penalti no lugar dele. O fato é que mesmo depois da volta do Rubinho, nem ele nem o Amilton Godoy me deixaram sair, então viramos Zimbo Quarteto. Como o Rubinho ficou muito debilitado após a cirurgia eu acabei assumindo a bateria do Zimbo, mas quero deixar muito claro que o lugar do Rubinho ninguém tasca...ele é o dono do trono.

CG: Tem alguma banda que você gostaria de ter tocado no mundo? PS: Puxa...Weather Report, Yes, Headhunters, Tower of Power, Genesis, Steaps Ahead e qualquer Big Band ! Tem mais monte ai, mas fica pra próxima.

CG: E daqui pra frente? Planos? PS: Pretendo continuar dando aulas e fazer muitos shows. Vamos fazer shows de divulgação do CD no sudeste e nordeste do Brasil e algumas cidades da América do Sul.

Com o Zimbo Trio ainda tem muita lenha pra queimar, fomos indicados para o Prêmio da Música Brasileira com o CD "Autoral", e a partir daí ... o mundo....hahaha...

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