Olivia (Oil Filter) - Entrevista


Blog Vitrola Verde

Entrevista com Olivia (cantora da banda Oil Filter)

Editor: Cesar Gavin

Data: 14/05/2012

Olivia - Foto reproduzida do site: www.olivia.mus.br

"I have way to sing"... é assim que vive a cantora Olivia. Depois de lançar 7 discos em carreira solo, ela participa do projeto experimental Vintage Filter, com os músicos Adriano Augusto e Bruno Balan. O disco homônimo foi produzido por Olivia entre novembro de 2011 a fevereiro de 2012. As dez músicas do álbum são divididas com letras em Português e Inglês, acompanhados de uma liberdade criativa e artística. Momento raro na carreira dos artistas hoje em dia. Salve a fórmula da autonomia! O tecladista Adriano Augusto fez parte de umas das bandas mais importantes do cenário paulistano no ínicio dos anos 80 com a banda de rock instrumental Zanggoba. Bruno Balan é pesquisador musical e um experiente baterista, já conhecido nas noites de São Paulo. Quanto a Olivia, tive a honra de trabalhar como produtor executivo em seu primeiro disco "Olivia" (Trama, 2000) e sei que a cada lançamento dela é algo a frente do nosso tempo. Leia a entrevista que fiz com ela e saiba mais sobre sua carreira ou melhor... parafraseando com o nome de uma das músicas do Vintage Filter: "To Felicity"! CG: No seus trabalhos solos, você tem influências de trip hop, bossa nova, jazz, alternativo e até eletrônico. Como consegue mesclar estes estilos na sua carreira? Olivia: Desde que comecei a compor, percebi que tenho essa tendência de não me encaixar em um estilo musical, apenas. Tenho essa liberdade como premissa, não tenho preconceitos musicais e acho que isso acaba sendo o fio condutor da minha criação.

CG: O que te dá mais mais trabalho para desenvolver: cantar, produzir, dançar ou compor?

Olivia: Cantar, produzir e compor são três universos paralelos que me fascinam. E a cada um deles me dedico completamente quando estou criando um novo CD. Acho que o trabalho acaba sendo o mesmo para todos, porque o envolvimento é total, corpo e alma!

Agora, o cantar tem aquele "algo a mais" porque é aonde me conecto o suficiente para sentir a música saindo pelos poros, é aonde acontece a troca com o público, e isso é singular, não há nada igual ao momento em que você se torna apenas instrumento da música!

CG: Como surgiu a idéia do Vintage Filter? Olivia: Eu e o Adriano Augusto já tocamos em alguns projetos, e ainda não havíamos feito uma parceria autoral. Tivemos essa idéia e mergulhamos em três meses de um prazeroso trabalho que resultou neste novo CD. Foi tudo muito complementar, o Adriano criava bases e sobre elas eu criei as melodias e letras. Foi a produção mais rápida que já realizei! CG: Você pode explicar um pouco mais sobre as composições do Vintage Filter como "climas impressionistas e surrealistas", citados no release da banda. Olivia: A temática deste CD é a própria música, sob diferentes aspectos e relações. Devido aos timbres analógicos de teclados e às melodias e mensagens em diversas línguas. O ouvinte é automaticamente transportado para cenários com uma alternância de climas que mexem com a sensibilidade e com a sugestão de imagens para esses ambientes sonoros. Enfim, é uma viagem... (risos). CG: Como você avalia a música na internet? O artista ainda precisa de uma gravadora? Olivia: A música na internet é a música acessível ao consumidor (ouvinte), quase que diretamente da fonte (artista). Essa conquista do artista na minha opinião é importante e muito positiva, pois se traduz em um lugar (no espaço) aonde o artista pode desovar sua obra sem interferências, sem burocracia, sem esquemas de jabás e afins. A gravadora foi por muito tempo um lugar que centralizava e direcionava toda a carreira do artista. Hoje essas funções se desmembraram. Para a produção e gravação do CD, o artista não precisa mais de gravadora, mas de um produtor musical e um estúdio. Para a divulgação em vez de gravadora o artista precisa de assessoria de imprensa e para fechar shows precisa de um empresário. Tudo era centralizado num lugar apenas e para tanto o artista precisava se submeter a mandos e desmandos do interesse de grandes corporações. Agora ele pode contratar ou não estes serviços de acordo com sua necessidade e objetivos, o artista hoje é mais "dono" de seu trabalho e de sua direção. É claro que essa independência tem aspectos negativos, entre eles o fato de que o artista acaba se sobrecarregando de funções e decisões, mas na minha opinião é simplesmente maravilhoso. CG: E projetos futuros? Carreira solo? Olivia: Estou sempre em carreira solo... (risos), porque nasci assim na música e é o meu jeito de estar sempre produzindo e criando. Cada CD é um novo projeto, e apesar de tocar com bandas diferentes e músicos de escolas diversas. Em todos os projetos de minha discografia, busco revelar meu amor e comprometimento com a música!

Release do disco VINTAGE FILTER foi produzido com total liberdade criativa. Neste projeto, os compositores Adriano Augusto e Olivia fazem da música um veículo de intensa expressão artística.A ideia principal deste trabalho é explorar paisagens sonoras eletrônicas num ambiente composto por voz e sintetizadores de timbres analógicos. Isentos de fórmulas, estilos e formatos pré-estabelecidos da canção, Olivia e Adriano conceberam as dez músicas deste CD em menos de dois meses de trabalho, entrosamento possível por contatos musicais anteriores quando integraram juntos bandas de jazz e blues nos anos da década 1990. Adriano foi integrante do seminal grupo de rock instrumental Zanggoba, que no início dos 80 agitou a cena paulistana deste gênero musical com participações marcantes no revolucionário programa Fábrica do Som. Olivia, cantora e compositora paulistana, com sólida formação musical, lançou em 2000 seu primeiro trabalho autoral pela gravadora Trama e desde então, conta com quatro CDs autorais em sua discografia, outros dois trabalhos dedicados ao Jazz e a Bossa Nova e um projeto voltado à música Folk em parceria com Frank Krischman, músico radicado no Texas. VINTAGE FILTER reúne, portanto, a trajetória de dois músicos experientes e não se atrela a nenhum rótulo. Revestido da temática da própria música, trafega por climas impressionistas, surrealistas, explorando compassos e sequências harmônicas que não temem a ousadia. O ar futurista-retrô que envolve o CD se identifica com as projeções de futuro das décadas de 60 e 70, quando o “pós ano 2000” era relacionado a um conceito romantizado aquilo que estava por vir, envolto em texturas espaciais, com imagens impactantes e cheias de glamour.Destacam-se os arranjos jazzísticos de Adriano Augusto, letras e melodias lisérgicas de Olivia que combina com naturalidade o inglês e as línguas latinas. Ambos contam ainda com a bateria setentista de Bruno Balan em diversas faixas, numa bem-vinda participação especial.Ouvir VINTAGE FILTER é mergulhar no passado para conseguir enxergar o futuro...agora!

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